Nova Serrana lidera o emprego em Minas Gerais e está entre as cidades com mais trabalhadores do Brasil

Município do Centro-Oeste mineiro tem o 4º maior nível de ocupação do país, segundo o Censo 2022, e se destaca como polo da indústria calçadista

Nova Serrana, conhecida nacionalmente como a “capital mineira do calçado”, conquistou um título que vai além da indústria: é o município com maior nível de ocupação de Minas Gerais, segundo os dados do Censo 2022 divulgados nesta quinta-feira (9) pelo IBGE. Entre as pessoas de 14 anos ou mais, 77,2% estavam ocupadas no município, índice que coloca a cidade na 4ª posição no ranking nacional de emprego.

Enquanto a média estadual é de 56%, Nova Serrana supera em mais de 20 pontos percentuais o desempenho de Minas e está acima até de grandes centros econômicos como Belo Horizonte e Uberlândia.

A explicação para o alto nível de ocupação está na força do setor calçadista, que transformou Nova Serrana em um dos principais polos industriais do país. Segundo dados do próprio município, mais de 80% da economia local gira em torno da produção de calçados, com centenas de pequenas e médias fábricas responsáveis por empregar diretamente dezenas de milhares de trabalhadores.

Além da indústria, o espírito empreendedor dos moradores é outro fator que ajuda a entender o cenário. Segundo o IBGE, 25,4% dos trabalhadores mineiros atuam por conta própria, mas em cidades industriais como Nova Serrana, essa proporção tende a ser ainda maior, com trabalhadores autônomos, prestadores de serviço e microempreendedores ligados à cadeia do calçado.

O desempenho de Nova Serrana contrasta com a realidade de boa parte dos municípios mineiros. Em Comercinho, Ibiracatu e Itinga, por exemplo, o nível de ocupação mal ultrapassa 25%. Essa disparidade revela um estado de extremos econômicos, com polos industriais gerando prosperidade em algumas regiões e municípios rurais enfrentando baixos índices de emprego formal.

Enquanto o setor calçadista garante empregos em série no Centro-Oeste mineiro, o Norte do estado, mais dependente da agricultura familiar e do funcionalismo público, ainda convive com altos índices de subocupação e informalidade.


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